terça-feira, 18 de novembro de 2025

Quando a chuva acaba...

 Recordo-me que na infância eu adorava tomar banho de chuva. Talvez chuva seja, no olhar de criança, uma água mágica que cai do céu. Outras pessoas talvez não se entreguem a esse prazer... isso! Algumas não se entregam. Tomar banho de chuva é se entregar verdadeiramente. Não temer o céu escuro, os relâmpagos, trovões, raios e poder festejar enquanto o céu cai. É brincar em meio a tempestade.

Saíamos correndo, pulando, gritando, tomando banho de biqueira, chutando água empossada. Em especial lembro de um dia que por algum motivo havia uma espécie de guerra de areia, pedra no campo de futebol da praça. Ninguém se machucou, Deus protege as crianças e os bêbados. Daí talvez venha um pouco de ousadia, coragem.

E quando a chuva ia acabando? Pegar um punhado de sal com a mão porque alguém ensinou a simpatia: se jogar sal na terra a chuva continua. Punhados cheios de fé e esperança, punhados em vão, pelo menos eu tentava. Mas triste de verdade era chuva rapidinha e fraca, que o tempo de se ajeitar e ir já chegava no fim. Sem banho, nem seco e nem banhado, só molhado.

É isso. As vezes a gente chega quando a chuva, as coisas estão acabando, porque demoramos demais. Outras a chuva (o que tinha para ser vivido) era fraca mesma. Alguns nem se quer se lançam, aprenderam a temer, observar os perigos da vida, desistiram e não permitem mais chuva na alma.


Fábio Matheus

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